#017 Déjà-vu


 

O agente federal Doug Carlin viaja para investigar a causa de uma explosão fatal que ocorreu em Nova Orleans. Ele descobre um meio de viajar no tempo e, consequentemente, evitar que a tragédia aconteça.


Data de lançamento: 22 de novembro de 2006 (EUA)

Diretor: Tony Scott

Roteiro: Bill Marsilii e Terry Rossio


Sejam muito bem-vindos ao 108 Pétalas, o seu canal de desconexão com a mesmice.



Para mim este é um dos melhores filmes com Denzel Washington, a trama me deixa preso e sempre que tenho chance eu vejo esse filme de novo, e de novo. Acompanhar como o quebra-cabeças é montado torna a película divertida.


Meu mestre se diverte bastante com o estudo de Etimologia, e tem pouco tempo em que ele conversava conosco e nos disse que a palavra respeitar traz em sua origem a ideia de olhar de novo. Isso me trouxe uma reflexão breve sobre como respeitamos o nosso trabalho, casa, parentes, amigos, filhos, porque literalmente os vemos de novo. Claro que você já fez a conexão com a prática física, e justamente neste momento foi onde nasceu o relato de hoje.


Ao final de uma manhã de treinos no Núcleo Jacarepaguá, Julio Camacho, hoje meu mestre, me perguntava as minhas considerações sobre o conteúdo treinado no dia.


Eu respondi que achava muito curioso estar tudo tão fácil dentro do que eu tinha para oferecer.


Isso até me incomodava como se eu estivesse passando por algum tipo de pegadinha, é sempre bom lembrar que ninguém disse que as suas experiências precisam ser ruins para que tenham valor, ou que alguma coisa dentro do Kung Fu precise ser sacrificante para que seja aprendido. Bora voltar ao que interessa.

  

Eu encerrei dizendo que alguns movimentos, e não só os movimentos como também toda a Moy Yat Ving Tsun, me eram tão familiares, como se em algum momento da vida eu já tivesse treinado antes. 


Na sequência meu mestre me falou sobre alguma cultura, ou lenda, isso eu não me lembro com exatidão, mas o teor da mensagem nunca mais saiu da minha cabeça; era algo como: Você não está aprendendo, está relembrando. 


É comum falarmos sobre nossas lembranças, elas nos dão experiências, momentos de reflexão, de prazer, de angústia, dor e por aí vai…


Logicamente temos memórias de lugares que visitamos, pessoas que conhecemos, atos que realizamos, decisões que tomamos. Mas e se… apenas se pudéssemos lembrar do que ainda não vimos, lugares que não visitamos, pessoas que não conhecemos e ações que não experienciamos, pelo menos ainda?


Essa sensação de repetição do presente salpicada em nossas mentes é conhecida por “déjà-vu” (uma expressão francesa que pode ser entendida como “já visto”, um fenômeno de fatores neuroquímicos que eu não saberia explicar de qualquer maneira).


No longa, a capacidade do agente Doug de manipular o déjà-vu faz com que as ações dele possam acessar uma camada de antecipação e refinamento impossíveis na realidade.


Sim, estamos pensando a mesma coisa. Em alguma escala acessamos uma ferramenta que nos propicia fazer experimentações numa faixa paralela à realidade.


Voltando de novo ao papo com o mestre. Eu disse que me sentia como se tivesse recobrado a minha memória e voltado para casa, mas não como se aquilo tudo fosse novo, nem ninguém. 


Então meu mestre (Mestre Sênior Julio Camacho, só para caso de esquecimento por salto temporal…) me respondeu algo do tipo: 


“Bem-vindo de volta!”


Essa expressão de carinho ecoa na minha mente até hoje, e agora está eternizada em servidores ao redor do mundo.


Pessoal, por hoje é só. Chegou o outono, então algumas pétalas caem mais rapidamente, digo, com mais frequência. Um abraço.







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