Verbetes - Genius: divindade tutelar pt.1

 


substantivo 

 1.

espírito que, segundo os antigos, regia o destino de um indivíduo, de um lugar etc., ou que se supunha dominar um elemento da natureza, ou inspirar as artes, as paixões, os vícios etc.

 


Sejam mais uma vez muito bem-vindas ao 108 Pétalas, nobres pessoas, o seu visto negado para o encontro com o trivial.  


Algumas formas de combate corpo a corpo são recentes, e contam com documentação, fotos, pinturas, ilustrações, vídeos, etc. No imaginário de muitos, se há duas ou mais pessoas fazendo troca de socos, chutes, agarrões, e projeções, trata-se de alguma “arte (marcial) milenar”. E pouco importa ao imaginador se a fundação da arte sequer tem 50 anos, se não é milenar, será um dia não é mesmo?


E o milênio passado foi abundante na fundação de artes marciais, esportes de combate e lutas. Algumas têm fundação anterior ao descobrimento das formas mais comuns de registro que temos hoje, esse é o caso do Ving Tsun. 


O Ving Tsun conta o seu estabelecimento, quando se fala da fase durante o período histórico da sua fundação, através de uma lenda. É sobre uma jovem atormentada por um valentão local que quer se casar com ela. A jovem Yim Ving Tsun é orientada por uma monja fugitiva tornada renegada pelos seus inimigos que a queriam morta, nada muito diferente da atualidade, exceto pelos desenhos dos jornais em pergaminhos chineses que tinham a página em formato 9x16 e hoje vemos o noticiário policial em 16x9.


Durante muito tempo, os únicos nomes femininos que figuraram em muitas linhagens de Ving Tsun, talvez até mais que este estilo singular, foram somente os nomes das duas. Não falo de praticar um pouco, ou qualquer saber raso, não falo de copiar alguns movimentos após olhar um homem executar e ainda com medo do que isso pode render; falo de dominar um caminho ainda que você possa cometer falhas nele, e o mais interessante: transmitir este conhecimento a outra pessoa.


O interessante das lendas, folclores e histórias de tradição oral é que elas podem ser reais ou não, contar feitos de pessoas ou não, místicos ou não, mas pouco importa; ignorar o que a lenda nos transmite é um grande erro.


Acho justo dizer que a primeira, após tantos séculos, a reabrir este processo inaugurado por elas também é legendária. Sem dúvidas eu estou falando da Mestra Sênior Ursula Lima. 


Patriarca Moy Yat no centro, Mestre Sênior Julio Camacho na direita e se você adivinhar onde está a Mestra Sênior Ursula Lima ganha um doce. 



Pensei aqui e também sou legendário por ter feito parte da história de uma figura legendária, mas esse não é o verbete de hoje, caros leitores. E vamos relembrar o primeiro uso/característica da palavra: 


        1.

espírito que, segundo os antigos, regia o destino de um indivíduo, de um lugar etc., ou que se supunha dominar um elemento da natureza, ou inspirar as artes, as paixões, os vícios etc.



Se você não pratica nenhum tipo de arte (incluindo marcial), a visão que você tem é de um gênio azul ou vermelho, talvez barbudo que voe num Rolls Royce se você for mais velho, talvez cheio de suingue; simpatia; e rima se você for mais jovem. 


Se você pratica qualquer manifestação de arte e tem uma mentora ou mentor talvez tenha esboçado um ligeiro sorriso de canto de boca  por ter identificado algum trecho que sua mestra ou mestre certamente propicia a você através de exemplos transformadores… talvez o exemplo transformado em produto final seja você, e fica muito difícil separar o que foi técnica, vida, ou magia.


Mestra Sênior Ursula Lima e Fernanda Lima 



Fico por aqui com a primeira parte deste Verbete de hoje e espero que você, pessoa, tenha ficado mais inspirada, apaixonada e viciada em destrinchar novos temas sobre novas pessoas que você conhecia há muito tempo.

Até a parte 2!

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