#004 Cassandra e o preciso apontamento do fracasso



 

A história de Cassandra vem da mitologia grega, e é trágica e irônica, como esses mitos tendem a ser. Cassandra era filha de Príamo, o rei de Tróia, e rainha Hécuba. Ela chamou a atenção do deus Apolo, que estava acostumado a conseguir o que queria. Ele ficou surpreso e descontente quando ela recusou seus avanços românticos e ele se tornou vingativo. Ele amaldiçoou Cassandra com um dom de profecia com um toque especialmente cruel: ele garantiu que, embora ela sempre estivesse certa, ninguém jamais acreditaria em suas previsões. Cassandra predisse a queda de Tróia e outros acontecimentos desastrosos, embora tenha sido ignorada. Agora, o rótulo Cassandra é normalmente reservado para aqueles que afirmam ver uma desgraça iminente.

Mitologias de diferentes culturas têm o poder de transmitir ensinamentos de maneira mnemônica, hoje, carinhosamente apelidada de meme.

Assim como na arte literária, o Ving Tsun nos apresenta características para ativar memórias, acelerar o aprendizado, e vários caminhos de experiências significativas que a escrita não conseguiria compreender.

E talvez você tenha se perguntado e me perguntado: “Qual arte marcial não faz isso, Xerox Homes?”. 
A minha resposta não é diferente de “todas elas”. 

Sejam mais uma vez bem-vindos ao 108 Pétalas, o seu veículo de desconexão com o trivial.

1º de novembro de 2020 aconteceu mais uma etapa do curso ministrado pelo meu mestre, Julio Camacho, sobre a trilogia fundamental do Sistema Ving Tsun. O domínio abordado neste dia foi o Biu Ji, famigerado por nomes trocados, interpretações díspares, certezas imprecisas, certezas imprecisas, e tantas ilusões quanto o Cham Kiu pode carregar. Seria essa coleção de enganos uma atração criada pela natureza da etapa?

O terceiro Kuen To da trilogia nos dá motivos para não optarmos por ideias exclusivas, então vou preferir somente aceitar o que vem. Si Fu durante a aula nos lembrou/disse (pois isso varia de acordo com as experiências individuais) que o Biu Ji foi projetado para dar errado.

Nesse momento, eu volto algumas linhas para falar dos pontos em comum entre as modalidades, e sobre o que eu havia dito de dispositivos criados para gerar experiências significativas. Em nenhuma outra atividade marcial eu percebi que havia um dispositivo ou uma sequência deles feito para colocar o praticante em algum nível de desconforto ou “falha inevitável”.
Não, nem de longe eu estou falando de castigos físicos, calejamentos, sofrimentos gradativos em que você pode ter controle dos acontecimentos, opção de como vai interagir com o meio, ou se pode conseguir ficar habituado com aquilo um dia. 

Falo da impossibilidade estratégica proposta pelo exercício que impede que todos os pontos sejam cobertos, e nisso você cresce…
Sendo capaz de absorver mais adversidades. 

É preciso o apontamento de Cassandra.

Obrigado por ter ficado comigo até aqui, quero que venha de novo. 



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